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Para seu Dossiê de Inclusão
Parte A) A partir da pesquisa iniciada sobre a educação especial no seu município, descreva quais serviçoes especializados existem no mesmo e quantos alunos são atendidos por estes serviços.
Parte B) ESTUDO DE CASO : Selecionar o caso
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Caso selecionado: Mutismo Eletivo
Em 26/10/1996, às 17 horas e 41 minutos nasce de parto normal, no hospital público de Alvorada, no estado do Rio Grande do Sul a criança A.P. pesando 2,680kg e medindo 46 centímetros. Filha de mãe doméstica e pai metalúrgico. Segundo relato da mãe, a criança tivera uma infância “normal”, auxiliando-a com os cuidados do irmão.
A.P. ingressou na escola situada na mesma cidade onde nascera e vive até hoje, no ano de 2003. Continua residindo com os pais e com o irmão de 8 anos como também na mesma série em que iniciou seus estudos. Ao ingressar na escola, A.P. chocou muitos professores pelo fato de não se comunicar verbalmente com os componentes do ambiente escolar. A professora na época chamou a mãe para conversar sobre a aluna, no entanto quem se fazia presente na escola era o pai. A professora preocupada com a não verbalização da aluna e a não aprendizagem formal, solicita ao pai que a encaminhe ao neurologista para um possível diagnóstico. O pai retorna a escola tempos depois com uma avaliação neurológica da filha constatando atraso global no desenvolvimento. A aluna, então é encaminhada ao CIR em 2004. Em 2007, a A.P freqüentou a turma na qual eu lecionava, fiquei muito apavorada ao ler o nome dela na lista de chamada. Chamei a mãe para “achar” uma luz no fim do túnel, e segundo seu relato, a criança fala como uma “papagaia” em casa, porém ela desacredita que a criança não se comunica verbalmente com os membros da escola, inclusive com as colegas. Instigada com a fala “conversa como uma papagaia”, descartei a possibilidade que A.P. tivesse alguma deficiência auditiva. Liguei para o Cir e foi informada que a aluna possuía um”mutismo eletivo”, questionei o que era (não me lembro da resposta). Procurei na internet, encontrei sites dizendo o que era e nenhum sobre o que fazer. Liguei para o Cir novamente e perguntei qual foi a forma que eles encontraram o diagnóstico, mais uma vez fui enrolada.
Não desisti. Comecei a me aproximar da A.P. elogiando as garatujas que produzia. Senti então os esboços de alguns sorrisos saindo da aluna. Então pensei: aí tá a brecha! A.P. costumava chegar sempre após a turma ter entrado na sala, então deixava a porta aberta pois sabia que A.P estava chegando. Quando entrava na sala dizia a ela: bom dia! Os olhos brilhavam e eu ganhava um sorriso. Com o passar do tempo e com o ganho da amizade da aluna, comecei a impor algumas normas a todos da sala,mas com o objetivo principal centrado na A.P., ao entrar na sala todos deveriam dizer oi, pois por se tratar de uma palavra pequena imaginei que a aluna conseguiria vencer as barreiras internas e externar verbalmente e realizaria o cumprimento. Vitória! A.P. disse sua primeira palavra em aula, olhando para o chão, mas conseguiu. E assim foi até o mês de junho onde A. conseguira ir até a secretaria da escola e pedir giz. A cada mês Ana externava de forma tímida palavras aos demais. Fui chamada para uma reunião no CIR sobre a A.. Me abismei ao escutar os relatos das professoras que trabalhavam com ela: não sabemos o que fazer com a A. Já fizemos de um tudo, porém não há resultados significativos. Contei a forma que trabalhava com a A.P.
Ao chegar à escola, disse à aluna que conhecera a professora que trabalhava com ela no Cir, e pedi a aluna que conversasse com as pessoas do Centro. Em novembro, novamente, reunião com o CIR. Relatei os avanços meus com a aluna e inclusive o meu desejo de permanecer com ela no ano seguinte no anseio de continuar a promover esforços na questão social. Escutei das profissionais do Cir, que A. estava se comunicando com eles também, pois haviam seguido as dicas da minha prática, mas que não era bom nem pra mim nem pra A. permanecermos juntas.
No período escolar, A.Pnão brinca com as demais crianças, permanecendo sentada durante as atividades físicas. Seu registro gráfico compreende as letras A O N, sendo assim escrevendo o seu nome e utilizando as mesmas letras para qualquer indicativo ilustrativo. Já consegue representar o corpo humano através de desenhos. Acredito que Ana prefere liberar seus esfíncteres em sala a solicitar a ida ao lavatório, pois constantemente “faz xixi nas calças”. Ao pesquisar na pasta da escola onde consta a ficha do aluno, encontrei alguns encaminhamentos, avaliações. Solicitei para a mãe se havia algum outro encaminhamento, laudo, diagnóstico emitido por especialistas, a resposta foi negativa e assim que pode distanciou-se de mim. Material coletado
Conversei com a diretora da escola onde a criança está matriculada, e então disse-me que a mãe não se interessava em buscar auxílio para o comprometimento neurológico da A.P. A escola fez encaminhamento ao CIR então a A.P. frequentou 3 anos, sem resultados significativos. A mãe "deu alta" para a filha, pois não percebera avanços no aspecto sociológico e tampouco neurológico, já que a A. p. mantivera-se na 1ª série ( 2° ano). A escola então "conseguiu" um atendimento com uma psicopedagoga gratuitamente. A mãe ao ser comunicado teve a seguinte fala: Eles dão passagem?A resposta foi negativa a mãe da Ana não a levou para o tratamento. Sobre o conhecimento formal que A.P adquiriu na escola fica difícil definir um parâmetro, pelo fato da mesma não verbalizar e evitar realizar os devidos registros ocasionando uma dúvida se A.P. aprendeu ou não. Por esse motivo acredito que a aluna permanecerá mais uma vez no 2° ano até sua futura evasão, embora a sua pofessora estivesse ciente da lei que garante um currículo especial para educandos com comprometimento neurológico, a mesma resiste em aplicar tal direito no parecer da aluna e ainda demonstra sua preocupação sobre o que a aluna ficará fazendo no ano seguinte. A.P. encontra-se na fase da adolescência (15 anos), o prazer (suponho) de vir à escola está se distanciando, a mãe justifica as faltas relatando as cólicas da filha em breves palavras, aliás como sempre a progenitora economiza palavras ao falar da filha, se é questionada, A.P fica sem aparecer na escola. Se há algum segredo familiar, acho que sim , mas nada confirmado. O mais impressionante nessa família é que o irmão da A.P. também não verbaliza seus anseios, dúvidas, sugestões, reclamações, sentimentos... será que ele também possui mutismo eletivo?????Acredito que a lei da inclusão de alunos portadores de necessidades especiais na rede regular de ensino ainda desenrolará e enrolará muitos educadores resistentes a esta prática, pois são professores que desconhecem o direito das crianças em frequentar os dias letivos numa escola "normal". Para aqueles que gostam de ler, buscar materiais complementares, enfim aqules educadores que realmente acreditam na educação como processo de socialização justa para um mundo melhor, a prática inclusiva se dará de forma tranquila, e para aqueles que ainda acreditam que esses alunos deveriam permanecer na APAE, esses terão muito trabalho, dor de cabeça, noites de insônia. Para esses educadores eu indico o site da secretaria de educação especial.

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Comments (6)
Simone Ramminger said
at 5:37 pm on May 19, 2009
Olá Barbara! Vejo que ja selecionaste o sujeito para o teu estudo de caso. Lembra que a atividade da unidade 4 deve ser postada até o dia 22/05. "Sua tarefa nesta unidade será iniciar o registro escrito de seu "Estudo de Caso", você deve definir quem será o sujeito de sua pesquisa e registrar as informações." Caso precises ajuda, faça contato. Um abraço, Simone - Tutora sede EPNE
Simone Ramminger said
at 11:33 pm on May 25, 2009
Barbara vejo que registraste alguns dados sobre o sujeito do teu estudo de caso, inclusive as informações solicitadas na atividade. Portanto, fizeste a postagem da atividade da unidade 4. Sugiro que troques o nome da aluna ou coloque apenas as iniciais para não expô-la. A menina repetiu 7 vezes a 1ª série? é isso? Ela já foi ou é tua aluna? Chama a atenção o comentário da mãe: "a criança fala como uma “papagaia” em casa", sendo que ela tem um diagnóstio de mutismo. Já viste a menina falando? Conversaste outras vezes com a mãe? A menina apresenta muitas dificuldades, pelo que relatas. Assim que fores descobrindo mais informações podes ir acrescentando aqui. Um abraço, Simone - tutora sede EPNE
maurentezzari@... said
at 8:45 am on May 29, 2009
Olá Bárbara, a aluna que selecionaste para fazer o teu estudo de caso parece representar um caso bastante desafiador. Agora é importante tu dares continuidade ao estudo com as atividades porpostas nas unidades 4 e 5. Um abraço, Mauren
Simone Ramminger said
at 11:49 am on Jun 9, 2009
Barbara quem sabe escreves com letras e cores diferentes o material que tu estás produzindo. Vai ficar mais claro para quem está lendo, pois estás colocando as informações do caso junto com as orientações da atividade. O que achas?
Observei que trouxeste informações sobre a família, diagnóstico e atendimento especializado que a aluna tem. O que mais sabes sobre a história de vida da aluna? Sabes se é feito algum trabalho diferenciado com ela na sala de aula?
A atividade da unidade 6 já está disponível no Rooda, em aulas.Qualquer dúvida, faça contato.
Um abraço, Simone - Tutora sede EPNE
Simone Ramminger said
at 10:36 pm on Jul 2, 2009
Barbara vejo que acrescentaste mais informações sobre a Ana no teu texto. Da uma revisada, pois tem três parágrafos repetidos. Comentas sobre o relacionamento da menina contigo e com os colegas, do seu processo de aprendizagem, da dificuldade da mãe em procurar ajuda e ajudar a filha no processo de inclusão. No texto "Deficiência Mental e Família: Implicações para o Desenvolvimento da Criança", Silva e Dessen falam sobre a importância do ambiente e da cultura para o desenvolvimento da criança: " A gama de interações e relações desenvolvidas entre os membros familiares mostra que o desenvolvimento do indivíduo não pode ser isolado do desenvolvimento da família (Dessen & Lewis, 1998)". Conseguiste ler? Vale a pena.
Seria interessante investigar mais a relação da menina com os pais, pois isso pode explicar algumas dificuldades da menina.
Aguardamos a postagem da atividade da unidade 7 até o dia 03/07.
Qualquer dúvida, faça contato.
Um abraço, Simone
Simone Ramminger said
at 6:24 pm on Jul 5, 2009
Olá Barbara!!
Vejo que organizaste teu material (ficou muito bom assim!) e acrescentaste mais informações ao teu estudo.
No texto AVALIAÇÃO E INCLUSÃO ESCOLAR: DESAFIOS, CONFLITOS E POSSIBILIDADES, Christofari traz uma questão importante sobre avaliação: "Dentre tantas questões que entram em pauta quando nos referimos à educação que prima pela inclusão escolar, podemos destacar uma que nos oferece um grande desafio: como avaliar a aprendizagem dos alunos sem que essa prática se torne instrumento de exclusão e de fracasso escolar?" Que outros pontos te chamam a atenção nesse texto e que podes relacionar com a tua prática?
De que forma tu acredita que esta interdisciplina contribuiu para a tua prática em sala de aula?
Podes desenvolver um pouco mais as conclusões do teu estudo de caso e fazer mais algumas relações com os materiais lidos e vistos ao longo do semestre. Ok?
Um abraço, Simone - tutora sede EPNE
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